Cansados Mas Ainda Perseguindo | World Challenge

Cansados Mas Ainda Perseguindo

Gary WilkersonFebruary 6, 2012

“Vindo Gideão ao Jordão, passou com os trezentos homens que com ele estavam, cansados mas ainda perseguindo” (Juízes 8:4, ênfase minha).

A vida de Gideão é o perfeito exemplo de como Deus cria circunstâncias impossíveis para Seus servos a fim de demonstrar Sua glória. O Senhor chama este homem tímido para conduzir Israel numa batalha contra um exército tremendo: 100.000 midianitas, comparado com o exército de Israel com 22.000 homens.

A gente fala de falta de recursos – mas aqui não se trata de poucas chances, mas de algo que beira o impossível. Mas Gideão creu e agiu segundo a palavra de Deus – e adivinhe como o Senhor respondeu? Ele tornou as coisas ainda mais impossíveis!

Isso mesmo, Deus foi além do limite – muito além do limite de Gideão – a fim de trazer glória a Si.

A Bíblia nos mostra lições surpreendentes quanto aos recursos de Deus e Seu desejo de concedê-los. Descobri que uma destas lições é o quanto Deus nos traz Seus incríveis recursos somente após termos exaurido nossos limites.

Ele anseia demonstrar diante de um mundo que nos observa o fato de Ele trazer vitórias impossíveis àqueles que colocam a confiança nEle.

Vejo quatro grandes lições para nós hoje na história de Gideão

Lição 1: recursos limitados jamais limitam Deus

Deus nunca é limitado em recursos quando nos chama a fazer algo. Se estivéssemos no lugar de Gideão poderíamos pensar, “Senhor, Tu tens de nos livrar agora mesmo. Precisamos de reforços, armas melhores, mais suprimentos – caso contrário, não temos chance”.

Mas Deus fez exatamente o oposto. Ele diz a Gideão e seus homens, “Algum de vocês está confuso ou desencorajado? Vá então para casa. Reserve um tempo para si, descanse um pouco e se divirta” (v. Juízes 7:3).

Imagine o que passou na mente de Gideão quando ouviu isso. “Puxa Senhor! Tu deverias nos aumentar e não diminuir. Precisamos mais, não menos”.

Mas cá estava a mensagem que Deus enviava a cada um de Seu grupo: “Aqueles que tiverem um espírito voluntário, disponham-se agora a combater um inimigo dez vezes maior. Os midianitas são muito mais fortes e violentos. Mas vocês tem a Mim do seu lado – e Eu lhes darei algo que os midianitas não têm”.

Não se pode culpar Gideão por querer suas necessidades atendidas antes. A maioria de nós faria o mesmo. Poderíamos até citar a parábola de Jesus quanto a “medir o custo”, onde Ele dá o exemplo de um rei indo à guerra:

“Qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o quem vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz” (Lucas 14:31-32).

Lemos isso e pensamos, “Jesus diz que é tolo iniciar algo sem ter os recursos adequados. Isso poderia trazer desonra ao nome de Deus”.

Essa é uma abordagem respeitável e deveria ser elogiada. Mas não é o que Jesus está falando nessa parábola. Na verdade, Ele começa com uma declaração bastante ousada:

“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (14:27).

Opa - Jesus aqui não está se referindo a ter recursos suficientes. Ele está falando de não se ficar no meio do caminho com Ele. Ele quer a nossa total confiança – e isso significa abandonar tudo para segui-Lo. Ele termina a parábola com uma palavra igualmente forte: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (14:33).

O nosso Senhor deixa bem claro: devemos estar “por inteiro” quando O seguimos. E isso significa deixar de lado toda autossuficiência – toda confiança em nossas próprias habilidades e recursos – e confiar que Ele suprirá.

Deus muitas vezes limita propositalmente os nossos recursos para assegurar que Ele receba toda a glória

É aqui que Deus torna as coisas ainda mais impossíveis para Gideão. Ele lhe diz, “É demais o povo que está contigo, para eu entregar os midianitas nas suas mãos; Israel poderia se gloriar contra mim, dizendo: A minha própria mão me livrou” (Juízes 7:2, ênfase minha).

A esta altura Gideão deve ter pensado, “Preciso parar de orar. Toda vez que oro Deus retira algo!”. Pense nisso – Gideão era responsável pela sobrevivência da nação inteira; se ele começasse a reduzir o exército, as pessoas iriam achar que ele estava louco. Contudo foi essa a circunstância que Deus criou para glorificar a Si próprio.

Algumas de nossas batalhas existem para nos ensinar adoração. Foi exatamente o que aconteceu com Gideão: quando ele viu que Deus iria de modo sobrenatural livrá-los dos poderosos midianitas – antes ainda de isso acontecer – ele foi direto se ajoelhar. “Quando Gideão ouviu... adorou a Deus” (Juízes 7:15).

Esse é o plano de Deus para nós o tempo todo. Quando vemos que apenas Ele pode trazer vitória – e que promete livramento de um modo que só Ele consegue – os nossos corações são levados à adoração e ao louvor, e o mundo para assustado ao ver.

Gideão claramente tinha seus olhos para os céus ao mandar os soldados de volta para casa – todos os 12.000. Isso reduziu o exército a menos da metade, 10.000. Agora que as chances eram de dez para um, Deus mais uma vez surpreende Gideão: “Disse mais o Senhor a Gideão: Ainda há povo demais” (7:14).

Agora Gideão deve ter saído do sério: “Senhor, Tu estás brincando? Menos ainda?”. Mas Deus o instrui: “Faze-os descer às águas, e ali tos provarei; aquele de quem eu te disser: este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de quem eu te disser: este não irá contigo, esse não irá” (7:4).

Deus estava claramente indo fundo nisso, e Gideão obedeceu: “Fez Gideão descer os homens às águas. Então, o Senhor lhe disse: Todo que lamber a água com a língua, como faz o cão, esse porás à parte, como também a todo que se abaixar de joelhos a beber. Foi o número dos que lamberam, levando a mão à boca, trezentos homens; e todo o restante do povo se abaixou de joelhos a beber a água. Então, disse o Senhor a Gideão: Com estes trezentos homens que lamberam a água eu vos livrarei, e entregarei os midianitas na tuas mãos; pelo que a outra gente toda que se retire, cada um para o seu lugar” (7:5-7).

Isso pode soar como processo estranho para recrutar soldados, mas Deus tinha um propósito claro. Veja, os homens que mergulharam o rosto na água tinham tanta sede que não conseguiam pensar em nada mais. Mas os que fizeram concha com as mãos para beber estavam se mantendo alertas; seus olhos se moviam para captar qualquer movimento ao redor. Em suma, esses caras não eram professores da Escola Dominical – Deus estava polindo o exército de Israel para formar uma unidade de Forças Especiais.

Isso já resolvido, Deus pôs em ação um plano sobrenatural. Nessa noite Ele dá a um dos soldados midianitas um sonho que assombrou o acampamento todo – e aí envia Gideão e sua unidade de 300 homens ao front, tendo vitória maciça para Israel. O desbaratamento da tropa reduziu os midianitas a 15.000 soldados que saíram correndo. Gideão e seus homens então rapidamente empreenderam perseguição para terem vitória completa.

Lição 2: o desencorajamento pode retardar – mas jamais deter – o plano final de vitória de Deus

Na manhã seguinte Gideão e seus homens chegaram a uma cidade israelita onde encontraram um grupo de homens. Em vez de se congratular com os vitoriosos, estes homens se chocaram com Gideão: “Então, os homens de Efraim disseram a Gideão: Que é isto que nos fizeste, que não nos chamaste quando foste pelejar contra os midianitas? “ (Juízes 8:1).

Isso não soa maluco? Gideão tinha acabado de derrotar 85.000 soldados com um exército de 300 - e estava sendo criticado pelos acomodados que ficaram em casa! O acusaram dizendo, “Por que você não nos chamou? Teríamos lutado contigo”. Sim, claro – fácil dizer depois da vitória feita. Eles estavam questionando a liderança de Gideão: “E contenderam fortemente com ele” (8:1).

Essa cena é mais fácil de entender se você se colocar no lugar de Gideão. Às vezes as experiências mais consternadoras, que nos esgotam a alma e esvaziam a energia chegam não nas batalhas da vida, mas de nossa própria família espiritual. Esperamos críticas dos inimigos, mas somos pegos desprevenidos quando isso vem de nossos irmãos e irmãs.

Gosto de ver como Gideão reagiu a essa afronta. Ele se recusa a ser desencorajado. No momento em que ele poderia deixar cada grama da gloriosa vitória esvair de seu espírito, fez o oposto. Ele na verdade enalteceu os homens, dizendo, “Que mais fiz eu, agora, do que vós?” (8:3). Gideão então enumerou as antigas vitórias daqueles homens contra grandes inimigos.

Fico perplexo com a sabedoria de Gideão aqui. Muitos de nós teríamos argumentado, “Por que vocês estão me criticando assim? Eu acabei de salvar sua pele!”. É tão fácil gastar energia em guerra com a família e perder o foco da missão ordenada por nosso Deus. Mas Gideão resistiu a essa tentação, e isso esvaziou seus críticos: “Abrandou-se-lhes a ira para com ele” (8:3).

Gosto do que as escrituras dizem que aconteceu a seguir: “Vindo Gideão ao Jordão, passou” (8:4). Ele deixou a briga para trás e continuou em frente. Que lição para nós: quando resistimos às distrações de guerras menores, estamos verdadeiramente desenvolvendo nossa missão.

Lição 3: a graça pela vitória é estendida aos cansados

Chega uma hora em que todo cristão precisa um novo frescor de seu espírito – trata-se apenas de um fato em nosso caminhar espiritual. Jesus muitas vezes retirava os discípulos do trabalho duro e exaustivo do ministério, sabendo que eles precisavam de tempo para encontrar paz em Deus e recompor o foco.

Mas na hora em que há uma batalha a ser travada, os cristãos com discernimento dizem, “Agora não dá para descansar, apesar de estar cansado. O Senhor me chamou para essa luta”.

Que dia tremendamente exaustivo havia sido para Gideão e seus homens. Tudo tinha acontecido num período de 24 horas: a escolha gradual dos homens para o exército, a intensa preparação para o conflito, uma batalha a noite inteira contra 100.000 guerreiros. Só na manhã seguinte Gideão teve um alívio (se pudermos chamar assim a confrontação com seus críticos). É por isso que lemos que Gideão e seus homens estavam “cansados mas ainda perseguindo” (8:4). O seu foco estava na missão de Deus!

O ponto é este: às vezes, ao fim de um longo dia, a batalha que Deus preparou para você está apenas no começo. Ao prever o custo de seguir Jesus, temos de esperar dias longos. Temos de esperar convocações cedo pela manhã, dias de tensões e stress, batalhas durando toda a noite. Podemos esperar pouco tempo para descanso e perseguições que vão além de nossas forças. Podemos esperar nos sentir esgotados e esvaziados. Mas quando Deus determina, Ele irromperá com a prometida vitória.

Mas Gideão tinha mais exaustão para enfrentar – mais uma vez de seu próprio povo. Ele e seus homens estavam perseguindo os midianitas quando chegaram à cidade de Sucote com muita fome. “(Gideão) disse aos homens de Sucote: Daí, peço-vos, alguns pães para estes que me seguem, pois estão cansados, e eu vou ao encalce... (dos) reis dos midianitas” (8:5).

O pedido de Gideão foi negado. Então Gideão foi forçado a prosseguir exausto à cidade seguinte, Penuel – mas de novo as pessoas rejeitaram seu pedido de alimentos. Gideão reagiu dizendo “Quando eu voltar em paz, derribarei esta torre” (8:9). Não creio que Gideão tenha dito isso com raiva. Ele estava dizendo, “Deus nos dará vitória nessa batalha – e então retornarei aqui. E quando eu voltar, vocês estarão sentindo as consequências naturais de terem rejeitado a Deus”.

Estas pessoas haviam recusado a notícia boa da impressionante vitória de Israel na noite anterior. Mesmo face à exaustão, Gideão sabia que Deus estava prestes a trazer a vitória. Que isso possa se aplicar a nós: à medida que continuamos confiando no Senhor em cada uma de nossas próprias circunstâncias difíceis, então – assim como aconteceu com Gideão – podemos saber que a vitória completa de Deus está vindo.

Lição 4: Deus não para deixando a vitória pela metade

Quando seguimos Jesus, não podemos nos acomodar com vitória parcial por estarmos exaustos. Deus não vai permitir isso. O plano dEle é sempre nosso livramento total – e às vezes isso só chega na última meia hora, quando estamos frustrados, cansados e não conseguimos dar mais nenhum passo.

Depois de todos estes desapontamentos, Gideão poderia ter dito, “Pois é homens, vocês já conseguiram muito – mais do que podíamos imaginar. Vivemos tudo que se poderia viver em um dia só. Por enquanto vamos voltar pra casa. Amanhã a gente começa de novo”.

Graças a Deus, Gideão nunca abandonou a missão. Creio que ele ouviu Deus dizendo, “Prossiga Gideão. Lute por seus filhos. Sim, Eu já predeterminei tua vitória – mas te chamo para que confie em Mim indo à frente”.

Amigo, Deus está dizendo o mesmo a você em sua batalha. Talvez você esteja em um casamento tenso que você acha não vá durar nem mais um dia. Talvez depois de toda oração por seus filhos, as coisas pareçam estar piores. Talvez o futuro pareça desanimador. Deus está falando com você como falaria aos 300: “Quero que você disponha seu coração e mente para guerrear um inimigo dez vezes maior do que você. Você não consegue superar esse inimigo na sua própria força. Mas vou lhe dar algo que teu inimigo não tem”.

O fato é que toda batalha que enfrentamos tem um propósito eterno. Não se trata apenas da derrubada de um inimigo – trata-se da exaltação de Jesus. Quando confiamos em Deus além de nossa própria capacidade, Ele provê toda a força para terminar a batalha – e o faz de uma maneira que traz toda a glória para Si.

Aqui está todo o assunto em poucas palavras: não somos pessoas chamadas para buscar conforto e prazer, para buscar toda bênção oferecida a nós. Somos chamados para batalhar. Sim, Deus está no controle – mas nos pede que ajamos em fé - para Seus propósitos eternos. Temos de dobrar os joelhos, e ir à frente quando Ele disser. Seja o que for para o qual nos chame a fazer, Ele concederá toda a força necessária para o conseguirmos. Só então o mundo verá o milagroso triunfo de Deus em um povo “cansado mas perseguindo”.

Isso cria uma igreja jubilosa, plena de adoração e que se vangloria em uma só coisa:

“Deus trouxe essa vitória. Nos mostrou que Ele é a fonte de toda vida, poder, e vitória. E lhe damos toda a glória, sabendo que Ele atrairá todos a Si mesmo”.

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