A Oração da Incredulidade | World Challenge

A Oração da Incredulidade

David WilkersonDecember 23, 2002

Você já ouviu a respeito da oração de fé. Acho que há uma imagem espelho desta oração; trata-se de uma oração baseado na carne. Eu a chamo de oração da incredulidade.

O Senhor sabe que não oramos o suficiente. Nós não choramos diante Dele como deveríamos; e tristemente, quando muitos cristãos realmente oram, a sua prece é uma oração de incredulidade. Uma oração assim é totalmente inaceitável a Deus; na verdade, as escrituras dizem que isso é pecado aos Seus olhos.

Quero colocar uma questão. Você alguma vez ouviu o Senhor lhe dizendo “Pare de orar. Levante-se dos seus joelhos”? O Espírito alguma vez lhe ordenou “Pare de chorar, e enxugue os olhos. Por que você está de rosto em chão na Minha frente?”.

Você pode não ser capaz de imaginar Deus alguma vez dizer uma coisa destas. Mas o Senhor declarou estas mesmas palavras a Moisés: “Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim?” (Êxodo 14: 15). O sentido literal em hebraico aqui é, “Por que você está berrando comigo? Por que tanto barulho nos meus ouvidos?”.

Fico pensando: por que Deus diria isso a Moisés? Este era um homem piedoso, de oração, na pior crise da sua vida. Os israelitas estavam sendo perseguidos pelo faraó, e não tinham escapatória; estavam cercados por montanhas por todo lado, e diante deles havia um mar intransponível. Então, ao orar, Moisés sabia que o destino de multidões de pessoas estava colocado em suas palavras.

O que você faria se estivesse no lugar de Moisés? Até aquele momento ele havia seguido fielmente o chamado de Deus a cada passo. Na verdade, ele sabia que a crise que Israel vivia naquela ocasião fora ordenada por Deus. Ainda soavam nos ouvidos de Moisés os gritos em pânico de centenas de milhares de pessoas: “Você é um assassino, Moisés. Não havia tumbas suficientes no Egito para nos enterrar, então você nos trouxe ao deserto para morrermos”.

A maioria dos cristãos provavelmente reagiria como Moisés. Ele partiu para uma colina isolada e ficou a sós com o Senhor. E então ele derramou seu coração em oração. As palavras “berrando” e “tanto barulho” aqui dizem que Moisés clamou do profundo âmago.

Você já esteve em uma crise com agitações como essa de Moisés? Recorde uma situação difícil quando você achava não haver saída. Você ficou a sós com o Senhor, em algum lugar aonde ninguém iria lhe ouvir; e fez Deus ouvir. Você gritou, berrou, derramou o seu interior. Chorou até não haver mais lágrimas.

Ora, o nosso Deus é Pai amoroso; Ele é movido por nossos gritos dilacerantes. E Ele responde à oração de toda pessoa sincera. Ele até nos encoraja que clamemos em voz alta a Ele; as escrituras dizem que o próprio Jesus “tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas...” (Hebreus 5:7).

Eu posso me identificar com este tipo de forte clamor. Lembro-me da minha agonia quando nossa filha Bonnie foi bombardeada com cobalto num tratamento de câncer. Ela teve de ficar isolada num quarto hospitalar por três dias. Só os médicos podiam entrar, vestindo coletes de chumbo. A minha esposa Gwen e eu tínhamos de esperar fora; só nos restava chorar diante da provação de nossa filha.

Certa hora, saí do hospital e fui até uma estrada isolada. Parei ao lado de um campo, saí do carro e gritei com Deus por três horas. Gritei no máximo de garganta berrando “Primeiro foi o câncer de Gwen, depois o de nossa filha Debbie. Agora está atacando Bonnie. Quando isso vai parar, Deus?”.

Sei que o Senhor ouviu os meus gritos. E sei que Ele foi movido pela minha dor. Veja, entendo que é certo gritar para Ele; Ele deseja ouvir as nossas agonias e compartilhar de nossas cargas. Mas tal oração não é aceitável a Ele quando é dita a partir da incredulidade. Explico.

A gente pode achar que Deus se agradaria de ouvir as preces angustiantes de Moisés; o líder de Israel passou horas clamando, “O que vou fazer, Senhor? A situação é de desespero. O que Tu esperas de mim aqui? Por favor, fale comigo, preciso do Teu socorro”.

Há tempo para chorar a noite toda e agonizar em oração. Mas quando Deus ouviu o brado de Moisés aqui, lhe disse, “Chega”. As escrituras não são explícitas quanto ao que se segue. Mas àquela altura, Deus poderia ter dito, “Você não tem direito de ficar em agonia diante de Mim, Moisés. Os seus gritos são afronta à Minha fidelidade. Eu já lhe dei Minha solene promessa de libertação. E te instruí especificamente sobre o que fazer. Então, pare de chorar”.

Realmente, Deus já havia dado todo o Seu plano a Moisés, desde o começo. Na verdade, Moisés aprendeu todo o esquema enquanto estava no deserto, pastoreando ovelhas. Deus havia lhe dito, “Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão” (Êxodo 4: 21). Deus estava dizendo, “Te mostrei as coisas que deves fazer, Moisés. Agora, vá e faça”.

Então Moisés operou todas as maravilhas diante do faraó, trazendo dez pragas ao Egito. Tudo ocorreu exatamente como Deus prometera. Agora, quando Moisés se angustia em oração no mar Vermelho, o Senhor lhe recorda isso. Deus estava dizendo basicamente, “Isso não é hora de entrar em agonia, Moisés. É hora de agir”.

A Bíblia diz que Moisés era um homem manso, piedoso, e que tinha acesso aos ouvidos de Deus. Porém, evidentemente, Moisés também tinha uma raiz de incredulidade no coração. Pense. Quando Deus chamou Moisés para livrar Israel, lhe prometeu dar uma voz que as pessoas ouviriam: “E ouvirão a tua voz” (Êxodo 3:18). Mas Moisés respondeu com incredulidade, “Mas eis que não crerão, nem acudirão à minha voz, pois dirão: O Senhor não te apareceu” (4:1).

Então Deus prometeu mais a Moisés, “Não se preocupe. Eu estarei contigo. Você vai trazer grande livramento ao Meu povo”. Mas de novo, Moisés respondeu com incredulidade, “Ah! Senhor... sou pesado de boca e pesado de língua” (4:10). Na verdade, Moisés acusava Deus de não lhe ter dado voz: “Eu nunca fui eloquente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo” (4:10). Moisés estava dizendo, “Envie outra pessoa, Senhor. Eu não estou à altura”.

Veja como era tola a incredulidade de Moisés. Pela poderosa palavra de Deus, este homem já havia operado maravilhas incríveis. Ele havia transformado o cajado numa cobra se contorcendo; e aí pegou a cobra pela cauda e ela voltou a ser cajado. Ele também pôs a mão no peito e ela ficou leprosa, e aí, a tocou novamente no peito e ela ficou sadia e limpa.

Eu lhe pergunto: qual discurso poderia ser mais eloquente ou poderoso do que isso? Se visse Moisés fazendo estas coisas, eu não iria me importar se ele tinha língua presa ou gaguejava. Eu estaria pronto a ouvi-lo. A própria presença dele iria colocar o temor de Deus em mim, mesmo antes de ele falar. Por quê? Eu saberia que ele tinha o poder de demonstração pelo Espírito Santo. No Novo Testamento, Paulo testifica ter esse poder. Ele disse que apesar de a sua fala ser pobre, ele falava com o poder do Espírito Santo. Isso seguramente também seria real com Moisés.

Então, a esta altura, “se acendeu a ira do Senhor contra Moisés” (Êxodo 4:14). O sentido pleno aqui é, “Deus se enfureceu com Moisés”. O Senhor não iria aceitar nenhuma falsa humildade deste homem. Por quê? Ele sabia que isso bloquearia o chamado de Moisés. Deus não estava disposto a deixar Moisés dizer, “Não sou capaz”, ou “Não sou suficientemente esperto”, ou “Não sou bom nisso”.

Então o Senhor responde a ele:

“Não, não vou escolher mais ninguém, Moisés. Não vou procurar alguém que seja eloquente, ou educado, ou tudo isso. É melhor você reconhecer: é contigo. Eu te escolhi, e você não tem desculpa. Eu sempre soube da tua fraqueza. Vi a sua falta de confiança, a sua tendência a se diminuir, o jeito de se comparar aos outros. Você acha que não é nada. Mas não adianta tentar fugir. Nunca deixarei que você mude os planos que fiz para ti, antes mesmo de você nascer. Não estou lhe pedindo muito. Tudo que você terá de fazer é crer no que te prometi, e agir de acordo com isso. Confie que Jeová Todo-Poderoso está contigo. Mantenha os teus olhos sobre Mim, não sobre as tuas fraquezas”.

Moisés insta com Israel, “Não temais, aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará... O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis” (Êxodo 4: 13-14). Este sermão mostra que Moisés sabia o que Deus iria fazer; porém, imediatamente após pregá-lo, Moisés recuou incrédulo. É quando foi estar a sós com Deus e gritou. Não que ele achasse que Deus fosse falhar com Israel; não, Moisés estava com medo de ele mesmo falhar em seu próprio chamado. Talvez ele temesse cometer algum erro, ou não agradar a Deus, ou não ter fé suficiente. Então ele se encolheu com medo.

Lembre-se, este mesmo Moisés mais tarde se tornou um grande campeão da oração. Ele iria experimentar intimidade face a face com Deus, como mais ninguém na história. Ele iria falar com Deus por quarenta dias seguidos, emergindo com a face brilhando sobrenaturalmente. Mas antes de tudo isso poder acontecer, Deus teria de ensinar Moisés quando orar e quando agir. Ele teve de aprender qual a hora para gritar, e qual a hora para simplesmente obedecer.

Aqui agora, no mar Vermelho, seria pura incredulidade Moisés orar. Por quê? Porque Deus já lhe havia dito para estender a vara, e que Ele iria fielmente partir as águas: “Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu, levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o” (14: 15-16).

Deixe eu lhe lembrar de que Moisés não recebeu esta palavra enquanto gritava em oração. Deus a havia declarado a ele muito antes disso, enquanto ele ainda era pastor: “Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão” (Êxodo 4: 21). É por isso que o Senhor lhe diz agora “Pare de gritar. Não há motivo para você ficar chorando a noite toda. Eu já ordenei que você assuma autoridade espiritual diante desta crise. Agora, levante-se e aja. Eu prometi que vou acabar com esta crise que está à sua frente. Portanto vá à frente em fé. Daqui a algumas horas, você estará dançando de alegria”.

Na hora de enfrentar as nossas próprias crises, podemos nos convencer de que “Oração é a coisa mais importante que posso fazer nesse momento”. Mas chega uma hora quando Deus nos chama para agirmos, para obedecermos à Sua palavra. Nessa hora, Ele não irá permitir que recuemos ao deserto para orar. Isso seria desobediência. E qualquer oração seria oferecida em incredulidade.

Em Josué 7, encontramos toda a nação de Israel gemendo em oração. A cidadela chamada Ai tinha acabado de lhes derrotar e os posto para correr. Então Josué convocou uma reunião de oração por todo o dia, e o povo se reuniu diante do propiciatório de Deus para buscá-Lo.

Se você caminhasse pelo acampamento de Israel aquele dia, poderia achar que estava ocorrendo um grande avivamento. Todos chorando e se lamentando. Homens de rosto em terra rasgando suas roupas e jogando poeira no ar; mulheres cobrindo o rosto com as mãos, chorando profusamente. E Josué e os anciãos curvados em prostração, vencidos pela dor.

Mas não era um culto de arrependimento. E não se tratava de um avivamento devido à presença de Deus no meio deles. A verdade é que Deus estava zangado com tudo aquilo: “A ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel” (Josué 7:1). Por quê? Porque era um culto do tipo “a culpa é de Deus”. O povo gritava, “Senhor, por que não tivemos vitória? O Senhor poderia ter intervido e derrotado o inimigo, mas não o fizeste. Onde está o socorro que prometeste? O Senhor nos deixou entregues aos nossos próprios recursos, e permitiu que o inimigo nos destruísse. Onde estava a Tua aliança quando precisamos dela?”.

A derrota diante da cidadela de Ai havia deixado Josué totalmente perplexo. Os israelitas tinham acabado de vir de uma grande vitória contra a poderosa Jericó. Porém agora eram derrotados por esse pequeno e insignificante inimigo. Ele não conseguia entender. E orou, “Senhor, por que isso aconteceu? O Teu santo nome está em jogo. A Tua reputação como libertador será difamada”.

A oração de Josué soa espiritual. Ele parecia mostrar zelo sobre como Deus estava sendo representado. Contudo lemos, “Disse o Senhor a Josué: Levanta-te! Por que estás prostrado assim sobre o rosto” (Josué 7:10). Deus acabou a reunião frio; declarou: “Israel pecou, e violaram a minha aliança, aquilo que eu lhes ordenara” (7:11).

O sentido implícito aí é: “Você pode orar dia e noite. Mas enquanto você não tratar com o seu pecado, continuará caindo diante dos inimigos”. Como Israel pecou? As escrituras explicam: “Prevaricaram os filhos de Israel... porque Acã... tomou das cousas condenadas. A ira do Senhor se acendeu” (7:1). Acã havia desobedecido a clara palavra de Deus. E agora o Senhor dizia a Israel, “Levante dos joelhos. Não ouvirei suas orações enquanto você não remover a coisa condenada do seu meio”.

A oração da incredulidade leva em conta apenas a bondade de Deus. Ela ignora a severidade dos Seus santos julgamentos. Paulo diz, “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus” (Romanos 11: 22- itálicos meus). O apóstolo propositalmente menciona a bondade e a severidade de Deus num só sopro aqui. Ele está dizendo que uma não pode ficar separada da outra.

No Velho Testamento, Isaías declara isso desta maneira: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça. Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue” (Isaías 59: 1-3).

Amado, Deus não mudou entre o Velho e o Novo Testamento. Ele é um Deus de amor e misericórdia, como Isaías destaca. Mas ao mesmo tempo Ele ainda odeia o pecado, pois é santo e justo; por isso diz a Israel, “Não vos ouço devido ao seu pecado”.

O mesmo se aplica a muitos cristãos hoje em dia. São crentes que oraram horas e horas; ficaram em claro a noite toda às vezes, chorando com grandes lágrimas. Contudo apesar do seu esforço, Deus nunca ouviu suas preces. Por quê? Veja então as palavras do salmista:

“A ele clamei com a boca, com a língua o exaltei. Se eu no coração contemplara a vaidade (‘iniquidade’), o Senhor não me teria ouvido. Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração” (Salmo 66: 17-20).

Eu lhe pergunto: pode um cristão que seja infiel a seu cônjuge esperar que Deus responda suas orações? Se um crente está vivendo em adultério, Deus irá ouvir a sua intercessão pela família, por seu emprego, seu pedido de orientação?

O profeta Malaquias diz que não. Ele diz a Israel, “Ainda fazeis isto: cobris o altar do Senhor de lágrimas, de choro e de gemidos, de sorte que ele já não olha para a oferta, nem a aceita com prazer da vossa mão. E perguntais: Por quê? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança” (Malaquias 2: 13-14). Malaquias estava dizendo, “Você está me perguntando como as suas orações podem molestar a Deus. O motivo é claro. Você continua deliberadamente a pecar contra o seu cônjuge. E tem a audácia de acreditar que Deus ainda se agrade de ti”.

Se isso descreve você, Malaquias oferece um alerta, “Você está sendo leviano com o pecado. E quanto mais tempo você ficar preso a ele, mais fácil vai ficando você aceitá-lo. Você já está convencido de que é mais espiritual com tua amante do que com sua esposa. Não! Você perdeu o temor de Deus. Você está chamando o mal de bem, e querendo que as trevas sejam luz. O Senhor não ouvirá nenhuma palavra da tua oração”.

Pedro oferece o mesmo alerta aos maridos que tratam mal as esposas: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações” (I Pedro 3:7).

A palavra para “interrompam” neste versículo significa “terminem”. Pedro está basicamente dizendo, “Você não pode tratar mal a esposa a semana toda, e depois ir à igreja esperando que Deus ouça a tua oração. Isso não é procedimento de Cristo. É do Diabo. Mas você continua achando que Deus não vá lhe julgar por isso; mas quero te dizer: as tuas orações foram cortadas do céu”.

Quando as escrituras dizem, “Tenha certeza disso: o teu pecado te descobrirá”, está se referindo a mais do que exposição pública. Inclui toda área da sua vida, incluindo a oração. Deus se tornará surdo às suas palavras. E a sua comunhão com Ele será cortada.

Jesus refuta isso. Ele diz que o Pai requer justiça sob a Nova Aliança tanto quanto na Velha: “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai celeste vos perdoará” (Mateus 6 14-15).

Não importa o quão santo você acha que é; você pode acreditar estar infundido com a justiça de Cristo; pode testificar estar justificado pelo Seu sangue, salvo pela graça, santificado pelo Espírito Santo. Você pode orar horas, estudar as escrituras diariamente, ministrar aos pobres, pregar com fogo, até operar milagres de fé. Mas se você não perdoou o pecado de alguém contra você, estará desperdiçando energia. Deus não ouvirá uma só palavra que você orar. Na verdade, ele retira o Seu próprio perdão de você.

Você está irado com alguém? Há alguém da família com quem você se recusa a falar? Você sempre acha aquela pessoa tola? Jesus declara, “Todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo. Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mateus 5:22-24). Cristo está dizendo, “Esqueça o jejum e o choro; a sua oração não será ouvida. Primeiro, vá acertar as coisas com o seu irmão ou irmã; e então retorne ao altar”.

Um piedoso pastor veio coversar comigo recentemente, frustrado ao tentar reconciliar dois ministros. Os dois tinham sido inimigos por anos. Um processou o outro, e ganhou uma sentença judiciária de muitos milhões de dólares. Após isso, lançaram amargura um contra o outro. Mas recentemente, ambos buscaram se reconciliar. “Eles estão prontos para conversar”, me disse o pastor. “Mas há um problema. A esposa do pastor que perdeu a ação judicial se recusa a perdoar o outro ministro. Ela jura que nunca mais fala com ele”.

Esta mulher está diretamente se opondo à ação de Deus. E a tragédia que ela está causando se desdobra em duas: ela não só está impedindo a reconciliação, como também se alijando de Deus. Ele não ouve as orações dela; e não se reconciliará com ela enquanto ela não se arrepender.

Creio que Deus fica especialmente furioso com quem tem preconceito racial. Que Deus se apiede do homem ou da mulher que faz culto de adoração ao lado de uma pessoa de outra raça, carregando profundo preconceito. E ai do crente se ele participa de gozações ou piadas étnicas. O Senhor se tornará inimigo dele. E as orações dele serão abominação aos olhos de Deus.

Podemos não ser capazes de servir num ministério de reconciliação, mas Deus efetivamente nos chama para olharmos para o preconceito em nosso próprio coração. Talvez você tenha crescido com aversão a certas figuras políticas, brancas ou negras. Talvez você tenha crescido num lar preconceituoso, seja branco ou negro. Ou pior, você frequentou uma igreja que ensinava o racismo. Você pode não ser capaz de pedir desculpas a toda a comunidade contra a qual você tinha preconceito. Mas se você conhece um crente de outra raça, pode ir até esta pessoa e dizer, “Quero te dizer isso diante do Senhor: sinto muito, me arrependo”.

Falei a respeito da oração da incredulidade. Agora vou lhe dar um exemplo de oração de fé. Em Daniel 9:13, Daniel diz para Israel o porquê de suas orações não terem sido respondidas por setenta anos: “Todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não temos implorado o favor do Senhor, nosso Deus , para nos convertermos das nossas iniquidades e nos aplicarmos à tua verdade”.

As preces de Israel foram prejudicadas durante décadas devido ao pecado. Daniel estava dizendo, “Agora vejo porque Deus não nos ouvia. É porque nos recusávamos a tratar com o pecado. Não consideramos a nossa iniquidade como assunto para oração. Isso nos custou o favor e a bênção de Deus”.

Então Daniel fez essa oração de fé: “Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. Orei ao Senhor, meu Deus, confessei e disse: ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te ama e guardam os teus mandamentos; temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos” (9:3-5).

Antes mesmo de Daniel terminar de orar, Deus lhe enviou o anjo Gabriel: “Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel... quando o homem Gabriel, que eu tinha observado na minha visão ao princípio, veio rapidamente, voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde” (9: 20-21).

Daniel foi tocado pelo próprio Deus. E imediatamente Israel estava de volta em aliança com o Senhor. Eu lhe pergunto, por que a oração deste homem foi respondida tão depressa? É porque foi uma oração de fé. Em resumo, Daniel crê que Deus julga o pecado do mesmo modo que mostra misericórdia.

O Senhor está pronto para responder a toda oração sua hoje. Ele quer lhe abençoar como nunca antes. Mas você precisa crer em Sua palavra inteira, aceitar o que Ele diz sobre o pecado. Pergunte a Ele se há alguma iniquidade que possa estar atrapalhando as suas orações. E então enfrente o pecado. Acerte as coisas com seu irmão ou irmã. Então você saberá como Deus está ouvindo as suas orações. E irá a você rapidamente.

Download PDF