O Ministério de Se Contemplar a Sua Face | World Challenge

O Ministério de Se Contemplar a Sua Face

David WilkersonMarch 17, 2003

Todo cristão é chamado para o ministério. A Bíblia deixa isso muito claro. Paulo diz: "tendo (nós) este ministério" (2 Coríntios 4:1).

Contudo, o conceito de ministério para os cristãos atualmente não é muito bíblico. Geralmente vemos ministério como algo feito unicamente por pastores ordenados ou missionários. Achamos que ministros são indivíduos formadas por seminários, que casam e sepultam pessoas, constroem igrejas, dirigem cultos de adoração e ensinam doutrina. Os vemos como doutores espirituais que foram preparados para curar as feridas dos enfermos, e dos que sofrem.

Deus não julga ministério do mesmo jeito que nós. A maioria de nós julga um ministério por sua magnitude ou eficiência, pelo número de boas obras realizadas. Mas aos olhos de Deus, a questão não é se o ministério é muito ou pouco eficiente, ou se a igreja cresce muito, ou quantas pessoas são alcançadas.

É claro, muitos líderes na igreja têm produzido coisas incríveis através de seus ministérios. Homens e mulheres talentosos têm edificado igrejas gigantescas, criado instituições e escolas, alcançado multidões com o evangelho. Porém, algumas destas mesmas pessoas altamente talentosas desenvolveram seus ministérios com corações negros. Adúlteros, fornicadores, bêbados, homossexuais - todos usaram seus dons e talentos para alcançar várias coisas na igreja.

Agradeço a Deus por cada reto ministro que edificou e instituiu um ministério através de obras piedosas. Do começo ao fim, a Bíblia nos chama para ministrar às dores e necessidades da humanidade. Mas o problema é o seguinte: a maioria dos cristãos retrata ministério como sendo algo que fazemos, um trabalho a ser empreendido - e não como algo que sejamos, ou no que estejamos nos tornando.

Paulo fala de um certo ministério ao qual todo cristão é chamado a cumprir. Esse ministério não requer dons ou talentos particulares. Antes, deve ser empreendido por todos que nasceram de novo, tanto os reconhecidos como ministros, como pelos leigos. Na verdade, esse ministério é o primeiro chamado de todo crente. Todos os demais empenhos e esforços devem fluir a partir dele. Nenhum ministério pode agradar a Deus a menos que seja nascido deste chamado.

Estou falando a respeito do ministério de se contemplar a face de Cristo. Paulo diz: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor" (2 Coríntios 3:18).

O que significa contemplar a glória do Senhor? Paulo está falando aqui de adoração consagrada, focalizada. É o tempo dado ao Senhor simplesmente para contemplá-Lo. E o apóstolo rapidamente acrescenta: "Pelo que, tendo este ministério" (4:1). Paulo deixa claro que contemplar a face de Cristo é um ministério ao qual todos devemos nos devotar.

A palavra "contemplando" em grego neste versículo é uma expressão muito forte. Ela indica não apenas "dando uma olhada", mas "fixando o olhar". Significa decidir o seguinte: "Não vou sair dessa posição. Antes de fazer qualquer outra coisa, antes de tentar seja o que for, preciso estar na presença de Deus".

Muitos cristãos entendem errado a expressão "contemplando, como por espelho" (3:18). Pensam num espelho, com a face de Jesus sendo refletida para eles. Mas esse não é o significado de Paulo aqui. Ele está falando de um olhar intensamente focalizado; olhando de perto, esquadrinhando com seriedade como através de uma vidraça discretamente embaçada, tentando enxergar melhor. Devemos "fixar os olhos" nessa direção, determinados a ver a glória de Deus na face de Cristo. Devemos nos trancar dentro do Santo dos Santos, com apenas uma obsessão: fitar com tanta vontade, e manter comunhão com tanta devoção, que somos transformados.

O quê ocorre à medida que um crente contempla a face de Cristo? Paulo escreve: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos tranformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (2 Coríntios 3:18).

Em grego a palavra "transformados" aqui quer dizer "metamorfoseados", significando mudados, transfigurados. Todo aquele que vai ao Santo dos Santos e fixa seu olhar intensamente em Cristo está experimentando uma metamorfose. Uma transfiguração está ocorrendo. Tal pessoa está continuamente sendo transformada à semelhança e ao caráter de Jesus.

Talvez você vá com freqüência à presença do Senhor. Mesmo assim, você talvez não sinta que esteja sendo transformado à medida que gasta tempo trancado com Ele. Lhe asseguro: você pode ter certeza de que a metamorfose está ocorrendo. Algo certamente está ocorrendo, porque ninguém pode continuamente contemplar a glória de Cristo sem ser transformado.

Note a última frase na declaração de Paulo: "E todos nós...somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (3:18, os itálicos são meus). O Espírito Santo opera a obra de nos transfigurar. Agora note o verso que o precede: "Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (3:17).

Você está vendo o que Paulo está dizendo aqui? Ele está dizendo: "Quando você está contemplando a face de Cristo, há liberdade para ser transformado". Por estar em Sua presença, concedemos ao Espírito liberdade para governar as nossas vidas, fazer conosco como quiser. É um ato de submissão que diz: "Senhor, a minha vontade é Tua. Não importa o que seja necessário, transforme-me na imagem de Jesus".

A primeira coisa que vemos quando estamos contemplando o Senhor, é o quão diferente de Cristo nós somos. Não importa quão retos achamos que possamos ser. O Espírito nos mostra o quanto estamos destituídos da glória de Deus, o quanto confiamos em nós mesmos, o quanto nos esforçamos na carne.

Mesmo assim, ao fitarmos Cristo, uma operação espontânea se inicia. Vemos que Ele cumpriu toda a retidão por nós. E nunca precisamos nos debater ou suar ou rogar para sermos santos. Na verdade, estamos sendo transformados - não por algo que façamos, mas pela operação do Espírito. O Espírito Santo iniciou em nós o glorioso processo de transfiguração.

Agora tudo é levado a cabo "pela Aliança, pelo Espírito". O nosso papel é simplesmente ir com freqüência à Sua presença, fixar o nosso olhar nEle, e permanecer em Sua presença. E devemos colocar a nossa confiança nEle, como autor e consumador da fé. Através do Seu Espírito, Ele irá continuamente nos transformar na semelhança do próprio Cristo.

Muitos cristãos professam estar cheios do Espírito Santo. Mas creio que há um teste que prova se o Espírito Santo está governando a sua vida. O teste é esse: haverá um aumento progressivo do caráter de Cristo em você.

Se o Espírito está em total controle, esse aumento não virá num jorro súbito. Você não terá um recuo ou ausência de Sua presença. Pelo contrário, você verá um contínuo acréscimo de transformação. E o aumento não virá só de crises ou provações. Ele continuará o tempo todo, porque as mudanças forjadas pelo Espírito de Deus são contínuas. Não existe aquilo de crescimento estagnado na obra do Espírito.

Mesmo assim, a transfiguração vem primariamente através de nossas lutas e sofrimentos. Paulo diz: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós" (2 Cor. 4:7). Podemos perguntar: como nossos vasos frágeis podem conter e progressivamente manifestar a glória do caráter de Cristo? Ainda mais sob fogo cerrado?

Não dá para saber como o Espírito irá nos transformar. Não sabemos quais métodos escolherá para usar em nossas vidas. Mas isso podemos saber: toda dificuldade e sofrimento tem o objetivo de nos trazer transformação.

Quando minha esposa Gwen e eu soubemos do câncer terminal de nossa netinha Tiffany, achamos que nossa filha Debbie seria um frágil vaso de areia. Nos perguntamos: "Como ela vai conseguir agüentar isso? Ela é tão sensível". Mas o tempo todo Debbie foi uma rocha. Todos em nossa família viram o poder de Deus se manifestando nela.

Onde Debbie encontrou força? Por meses, ela havia estado contemplando a face de Jesus através dos piedosos textos de Mme. Guyon e Amy Carmichael. Debbie tinha me dito quando começou a lê-los: "Papai, quero realmente conhecer mais a Jesus".

Ela havia passado aqueles meses trancada com o Senhor, contemplando-O. E o Espírito Santo havia produzido transformação que refletiu para o mundo. Ele a havia transfigurado. Todos vimos essa mesma força no esposo de Debbie, Roger. A fé, a confiança e o descanso em Jesus que eles mostraram, foi um poderoso ministério durante a maior provação de suas vidas.

Ninguém nesta terra pode lhe pôr no ministério. Você pode receber um diploma do seminário, ser ordenado por um bispo, ou comissionado por uma denominação. Mas Paulo revela a única fonte de todo verdadeiro chamado para o ministério: "Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério" (I Timóteo 1:12).

O quê Paulo quer dizer aqui, quando fala que Jesus o fortaleceu e o considerou fiel? Lembre-se da conversão do apóstolo. Três dias após esse evento, Cristo colocou Paulo no ministério - especificamente o ministério do sofrimento: "Pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome" (Atos 9:16).

Esse é exatamente o ministério ao qual Paulo se refere quando diz: "Pelo que, tendo este ministério..." (2 Coríntios 4:1). Ele continua, e acrescenta, "segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos". Ele está falando do ministério do sofrimento. E deixa claro que é um ministério que todos nós temos.

Paulo está dizendo que Jesus lhe deu uma promessa para esse ministério. Cristo garantiu lhe permanecer fiel, fortalecê-lo e capacitá-lo em todas as provações. Em grego a palavra "fortaleceu" quer dizer "concedeu suprimento contínuo de força". Paulo declara: "Jesus me prometeu conceder força mais do que necessária para a jornada. Ele me capacita a manter-me fiel nesse ministério. Por causa dEle, não vou desfalecer ou desistir. Eu me levantarei com um testemunho".

Pergunto-lhe o seguinte: o que Paulo viu como sendo seu primordial chamamento no ministério? Seria a sua pregação persuasiva? Seriam os seus profundos ensinamentos? Não. Segundo ele mesmo admite, Paulo não era um orador eloqüente. Ele diz que pregava em fraqueza, com temor e tremor. Até Pedro dizia que Paulo falava coisas difíceis de se entender (v. 2 Pe. 3:15-16).

Nessa altura, então, Paulo já havia jogado fora todo seu aprendizado humano, sua sabedoria terrena. Ele sabia que o seu ministério não era pregar, curar os enfermos; sabia que seu ministério não era o seu brilho humano. O ministério de Paulo era o resplandecer de Cristo, que era produzido nele através de grandes sofrimentos. O grande apóstolo causou um impacto incrível em seus dias, e ainda impacta a nossa geração, pela maneira com que respondeu às lutas.

Paulo falava freqüentemente de "Cristo em mim". Com isso ele queria dizer: "Você está vendo um ser humano na sua frente. Mas Deus me levou através de muitas provações, e esses sofrimentos produziram em mim o caráter de Cristo. É isso que você vê refulgir de mim. Só o fiel Capacitador pode produzir isso na vida de alguém. Só Ele pode dar um cântico e um testemunho a Seus servos em meio a todo sofrimento".

Aqui está como Paulo resume o seu ministério: "Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo" (2 Coríntios 4: 8-10).

Paulo não era sobre-humano. Ele conhecia mais do que ninguém o significado do desespero. Enfrentou tempos difíceis aos quais nunca achou que sobreviveria. E testifica: "Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a senteça de morte, para que não confiemos em nós e sim no Deus que ressuscita os mortos; o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos" (2 Cor. 1:8-10).

Você entende o que Paulo está dizendo? Ele está nos falando: "Fomos pressionados acima da força humana. E não conseguíamos encontrar uma razão para isso. Chegamos a pensar que tínhamos chegado ao fim".

Esse foi o período dos maiores testes para Paulo. Ele fitava a morte de perto. Contudo nesse exato momento, Paulo se lembrava de seu ministério e de seu chamado. Ele lembrava a si próprio: "O mundo inteiro está me observando. Preguei muitos sermões sobre o poder de Deus para guardar os Seus servos. Agora todo mundo está me olhando para ver se eu creio nisso".

Paulo se levanta mais uma vez para apresentar sua vida. Ele brada: "Vivo ou morto, sou do Senhor! Confio em Deus, que ressuscita os mortos".

Mais tarde, Paulo diz à igreja de Corinto: "ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos" (2 Cor. 1:11).

Nunca será falar demais: jamais devemos desconsiderar a importância da oração por irmãos e irmãs necessitados. Paulo diz que as orações dos coríntios lhe foram benéficas. Foram mais preciosas que dinheiro, que palavras de conforto, e até mais do que boas obras de amor.

A nossa família conhece essa gratidão pela oração das pessoas. Por trinta dias, nossa netinha Tiffany jazeu morrendo em nossa casa. Foi o período de maior luta de nossas vidas. Nós entendemos o significado do testemunho de Paulo: subitamente a luta veio sobre nós, e fomos pressionados além do limite, enfrentando uma provação que nunca poderíamos humanamente entender.

Na última hora, quando Tiffany deu seu último suspiro, nos reunimos em torno de sua cama, de mãos dadas e cantamos: "Deus é Tão Bom". Naqueles momentos, sentimos o poder das orações dos santos de Deus. Ele era tão tangível para nós quanto o apertar das mãos uns dos outros.

A nossa família pode com ousadia testificar que fomos revestidos pelas preces destes que nos levantaram. E tal como Paulo, podemos dizer a todos que oraram: "Vocês ajudaram tanto com suas preces em nosso favor; vocês nos deram o benefício que nos ajudou a glorificar a Deus durante nosso maior sofrimento. Não fomos esmagados pela dor. Nós a atravessamos".

Estou convencido de que Paulo descreveu os nossos dias quando escreveu a Timóteo: "Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus...prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as cousas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério" (2 Timóteo 4:1-5).

Paulo estava dizendo a Timóteo: "Os homens ficarão tão entregues às suas cobiças, que não agüentarão a sã doutrina. Mas continue pregando a Palavra. A repreensão é necessária. Então, inste junto aos desobedientes, e exorte a todos para fazerem o bem".

Precisamos continuar a pregação poderosa, a sã doutrina e a repreensão piedosa. Mas breve o mundo não quererá ouvi-las. A humanidade se tornará tão obcecada pelo prazer e suas cobiças, que ignorará totalmente a igreja. Pregação e doutrina não terão absolutamente nenhum impacto sobre uma sociedade narcotizada.

Em verdade, creio que já chegamos a esse ponto no mundo todo. A igreja nominal apresenta-se totalmente irrelevante. Ela não causa mais impacto sobre nenhum país, ou mesmo indivíduos, em muitos casos. Pergunto o seguinte: qual ministro vai alcançar um mundo que se tornou insano?

Graças a Deus, ainda há ministério que fala aos ateus, a muçulmanos de todos os tipos. É o refulgir de Cristo através do sofrimento profundo e terrível nas vidas dos crentes. Durante séculos este tem sido o mais poderoso testemunho do povo de Deus. Crentes têm sido sacudidos e desfigurados pela doença, perseguição; por sofrimentos de todos os tipos. E em tudo isso, foi o resplandecer do caráter de Cristo que tocou os que os rodeavam.

Veja cuidadosamente as exortações de Paulo nesta passagem:

"Sê sóbrio em todas as cousas, suporta as aflições" (2 Tim. 4:5). Ou, "um mundo de descrentes está te observando. Então tenha cuidado ao reagir na hora da aflição. Não deixe que as lutas te arrebentem a ponto de virar um reclamador choraminguento e sem fé. Isso vai desacreditar tudo que já falou sobre a fidelidade de Deus".

"Faze o trabalho de um evangelista" (4:5). Quando eu era um jovem pastor, eu não compreendia por que eu não poderia simplesmente andar pelos corredores de um hospital, orar em fé, e ver milagres de cura acontecendo. Eu pensava: "Isso seria um tremendo testemunho. Qualquer pessoa que estivesse em dúvida, seria convencida se visse os pacientes se levantando da cama".

Desde então aprendi que este provavelmente não seria o tipo mais eficiente de evangelismo. Pense no seguinte. Quem causa maior impacto: o cristão sorridente e saudável que entra no quarto do descrente e prega, reprova, e apresenta a sã doutrina? Ou a cristã humilde do outro lado do quarto que está se recuperando de uma mastectomia bilateral? Essa mulher nunca fica sem dor. Mesmo assim, não tem medo. Sorri às enfermeiras, e ilumina o quarto com sua paz interior. Até o médico mais cínico e incrédulo fica curioso com uma mulher assim. Ele vê o sofrimento da paciente, contudo é atraído à ela porque quer conhecer a fonte desta paz.

Eu não estou diminuindo o ministério em hospitais. É um alto chamado, e uma obra vital que todo corpo de crentes deve empreender. Mas posso lhe dizer de primeira mão o que teve maior impacto em nosso lar durante os dias finais de Tiffany. Um operário entrava e saía de nossa casa trabalhando naquela época. Ele sabia que nossa neta estava morrendo. Após três semanas, ele disse à esposa: "Essa gente tem alguma coisa de diferente. Às vezes eu os vejo chorando, mas não consigo entender a paz que eles têm. Preciso descobrir isso". Ninguém havia testemunhado a esse homem. Ele simplesmente via o Espírito de Cristo resplandecendo de nossa família em sofrimento.

"Cumpre cabalmente o teu ministério" (4:5). Em grego a palavra cabalmente significa de modo totalmente assegurado, garantido, totalmente preparado. Paulo está dizendo basicamente: "Fique preparado antes de as provações caírem subitamente sobre você. Assegure-se de estar bem equipado, pleno de recursos espirituais, para que não lhe acabe o gás".

Vejo hoje em dia muitos cristãos se desmanchando durante as provações. O sofrimento profundo os faz entrar em parafuso. A gente, ouvindo seus questionamentos e protestos deploráveis, nunca vai achar que eles algum dia conheceram a Deus. O fato é o seguinte: eles conheceram Jesus apenas como o Autor de sua fé, não como o fiel Consumador. São pessoas que não foram transfiguradas pelo sofrimento. Antes, se desfiguraram, no espírito e no caráter.

Uma transfiguração está ocorrendo na vida de todos nós. A verdade é a seguinte: estamos sendo transformados por aquilo que nos obceca. Estamos nos tornando como as coisas que ocupam a nossa mente. O nosso caráter está sendo influenciado e recebendo impacto de tudo aquilo que se apoderou de nosso coração.

Considere a vida gay. Tenho visto uma degeneração forte de caráter em muitos homossexuais que tenho conhecido, à medida que estes vão ao encalço de seu estilo de vida. Há mudanças dramáticas em sua fisionomia, em sua voz, maneirismos. E há um constante aumento em sua ousadia para pecar.

Há dois anos atrás, várias centenas de homossexuais em Nova York juraram que nunca marchariam pela Quinta Avenida no Dia do orgulho gay. Eles declararam: "Não concordamos em ser exibicionistas quanto à nossa sexualidade. Nunca faremos isso". Porém no ano passado, um grande grupo destes mesmos homens dirigiram o desfile, semi-nus.

Considere as transformações que resultam da pornografia. Alguns homens começam com fotos de mulheres nuas e acabam afundando na pornografia infantil. Homens casados não conseguem satisfazer a lascívia com pornografia, então partem para casos extra-conjugais. Eles juraram que dariam a vida pelos filhos, mas agora querem abandonar a família sem dor ou vergonha. O seu caráter se desintegra rapidamente. Foram metamorfoseados em homens diferentes.

Agradeço a Deus por todo aquele que alimenta a mente e a alma com coisas espirituais. Tais servos fixaram os olhos no que é puro e santo. Mantêm seus olhares fixados em Cristo, dando seu melhor tempo para adorá-Lo, edificando-se na fé. O Espírito Santo está em ação nesses santos, transformando continuamente seus caráteres no caráter de Cristo.

Somente tais crentes estarão preparados para o sofrimento atroz e explosivo que virá sobre a terra. Os cristãos preguiçosos, indolentes, que não oram - desmaiarão ou terão falência cardíaca. Serão esmagados pelo medo, pois não têm o Espírito Santo operando neles, transfigurando-os. Quando chegarem os dias difíceis, eles simplesmente não se manterão.

Se você está atravessando uma provação de fogo neste momento, poderá saber que foi colocado "no ministério" pelo próprio Senhor. Então, cuidado para não escandalizar o seu chamamento se tornando um reclamador, um covarde cheio de lamúrias. Aqui está a palavra final de Paulo sobre o assunto:

"Não dando nós nenhum motivo de escândalo em cousa alguma, para que o ministério não seja censurado. Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões ...entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos" (2 Cor. 6:3-5,10).

Como enriquecemos "a muitos"? Resplandecendo a esperança de Cristo em meio aos sofrimentos. Oferecemos riquezas reais quando levamos os outros a perguntar: "Qual é o segredo dele? Como ele agüenta esse sofrimento? Onde ele acha tanta paz?".

Comece preparando agora mesmo o seu coração. Encha os seus depósitos com recursos, ficando a sós com Jesus e fixando o seu olhar nEle. Então você estará preparado para tudo. Esse é o nosso ministério nestes últimos dias.

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