Quando Acaba o Vinho | World Challenge

Quando Acaba o Vinho

Gary WilkersonJanuary 12, 2015

“Houve um casamento em Caná da Galiléia. A mãe de Jesus estava ali, e Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm mais vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não chegou a minha hora. Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser” (João 2:1-5).

A maioria dos cristãos sabe que foi no casamento em Caná que Jesus realizou o primeiro milagre: “O primeiro dos seus sinais miraculosos, Jesus realizou em Caná da Galiléia. Assim revelou a sua glória” (2:11). Cristo havia acabado de iniciar Seu ministério e já tinha um pequeno séquito de discípulos. Agora, operando esta maravilha, Ele revela Sua glória ao mundo de um jeito espetacular.

Mas o milagre que Jesus operou aqui também contém um profundo sentido para a igreja - que vai além daquele tempo e daquele lugar. O versículo 3 contém uma frase poderosamente simbólica: “Tendo acabado o vinho...”. Ao longo de todo o Novo Testamento, o vinho é associado a manifesta presença de Deus através do Espírito Santo. Paulo evoca isso quando registra, “Não vos embriagueis com vinho, em que há devassidão, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18).

O que significa para o povo de Deus “acabar o vinho”? Dentro deste cenário, o vinho estava no centro da celebração do casamento, derramado livremente para ser servido aos convidados. A cena é retrato de um povo em júbilo para quem o Espírito de Deus flui livremente. Mas agora surge uma situação quando o vinho tinha acabado, e as pessoas tinham de tê-lo reposto para manter a alegria.

Como cristãos, todos temos o Espírito Santo presente em nós. Porém é também verdade que temos de ser cheios do Espírito continuamente. Cada um de nós experimenta um fluxo e refluxo em nossa caminhada com Cristo. Os tempos de baixa não significa que o Espírito tenha nos deixado, mas efetivamente significa que somos chamados de novo e de novo a matar a sede profunda que o próprio Espírito coloca em nós. Como filhos de Deus, necessitamos de alimento espiritual que apenas Ele pode dar – alimento que nos capacita a amar o próximo como Ele ama, a levar uma vida santa que O agrade e a declarar a Sua palavra com ousadia aos outros.

Alguns teólogos discordam deste ponto, dizendo que todos os crentes têm uma medida igual do Espírito todo o tempo. Mas a Bíblia traz argumentos em favor de contínuo enchimento. Por exemplo, os escritores dos evangelhos registram que os discípulos receberam o Espírito Santo quando Jesus soprou sobre eles. Mas em Atos 2 e 4, após a ressurreição de Cristo, foram novamente cheios do Espírito de um jeito diferente, com poder manifesto do alto. Uma vez isso tendo ocorrido, eles pregaram o evangelho com ousadia e operaram milagres em nome de Cristo.

O estudioso e autor Warren Wiersbe diz que a frase de Paulo “enchei-vos do Espírito” na verdade quer dizer “sêde vós sendo enchidos”, significando um enchimento contínuo. Não importa para mim qual seja a sua teologia sobre o Espírito Santo. Está bastante claro que para servir Jesus todos precisamos estar cheios do Espírito – permanecer em constante comunhão com Ele, para que Ele possa manifestar Sua presença em nós a um mundo incrédulo. E se você tem seguido Cristo por um período significativo de tempo, você sabe por experiência o quão facilmente sua alma pode se tornar árida, precisando do Espírito para lhe encher de novo.

Vemos isso não só na vida individual de personagens bíblicas, mas também ao longo da história da igreja. Quando mudei minha família para Nova Jersey há uma década, a minha mulher Kelly e eu ficamos ansiosos para visitar igrejas históricas de lá, algumas delas com ricas histórias da época do início do grande avivamento em nosso país. Caímos em uma igreja de onde os signatários da Declaração de Independência já tinham sido membros. Porém durante o culto, o ambiente era tão árido espiritualmente que sentíamos como que a vida sendo sugada da gente. Na hora de ir embora nos perguntamos, “Você não sente como se tivesse de ser salva tudo de novo?”.

Oro para que o vinho da igreja de hoje não acabe – que a igreja de Jesus Cristo viva, confiante e sacrificial, não perca o fogo, e no período de uma geração acabe se tornando uma concha vazia de si mesma. Tristemente isso aconteceu com a igreja vez após outra ao longo da história.

Podemos correr até o altar buscando o vinho do Espírito de Deus, mas para muitos a resposta está na simples obediência

Quando a mãe de Cristo, Maria, viu que o vinho havia acabado, ela direcionou os servos ao Seu filho e disse, “Fazei tudo o que ele vos disser” (João2:5).

Para muitos de nós, o enchimento do Espírito de Deus pode ter lugar em nosso lugar de oração, ou dentro do nosso círculo de comunhão. Mas muitos cristãos serão cheios só ao começarem a obedecer seriamente claros mandamentos de Deus. Estou convencido de que o problema restringindo muitos crentes é uma atitude despreocupada quanto à voz de Deus em seus corações e na Sua palavra. Ao negligenciarem o direcionamento Dele em suas vidas, especialmente no tocante aos Seus propósitos santos, eles são facilmente roubados de sua liberdade e confiança.

Eu falava com um jovem cristão solteiro há alguns meses, quando ele me disse haver resolvido ir morar com um casal que vivia junto não estando casados. Eu o desafiei dizendo, “Isso não soa como ambiente muito saudável para você”. Ele respondeu, na verdade, “Sinto que é uma situação segura. Não acho que Deus ficará aborrecido eu fazendo isso”. Ele não disse isso com fé acreditando, mas como adolescente querendo sair de casa.

Com o tempo, o casal não casado se separou. Logo o jovem cristão se ligou romanticamente à mulher e posteriormente, sexualmente. Cito esta história não como julgamento, mas como simples ilustração. A melhor maneira de ser cheio do Espírito de Deus é simplesmente atentar à Sua voz e obedecer a Seus mandamentos. Isso nos concede paz, segurança, alegria e nos permite falar por Deus com autoridade. Como Maria disse aos servos no casamento, “Tudo que ele disser, façam”.

O vinho do casamento nessa passagem representa muito mais do que o Espírito Santo

As escrituras contam que havia “seis talhas de pedra que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas” (João 2:6). Obedecendo a Jesus, os servos encheram os enormes potes com água, que milagrosamente se tornou um vinho vermelho rico e de bom paladar.

Este vinho representa o sangue redentor de Cristo. No Velho Testamento, Deus usa Moisés para transformar um rio de água em sangue como sinal de julgamento. Agora, em contraste, Jesus transforma água em vinho para apresentar a Nova Aliança de Deus. Através deste ato milagroso Ele estava sinalizando, “Os rituais purificadores só limpam o seu exterior, e não o mais profundo âmago do coração. O Meu sangue purificador é necessário para realizar isso em vocês”.

Resumindo, o jeito antigo estava passando a se tornar passado - ao Jesus introduzir a nova maneira. O anfitrião no casamento literalmente experimentou algo novo no vinho, pela operação do milagre de Jesus. Ele se maravilhou, “Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora” (2:10).

Mas não foi só o anfitrião que foi abençoado. Todos os presentes se beneficiaram desta operação incrível, incluindo os discípulos que acompanhavam Jesus: “Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (2:11). Se os discípulos de Jesus precisavam de uma prova final de que Ele era o Messias, este ato miraculoso lhes forneceu isso. Os persuadiu a segui-Lo inteiros.

Que imagem bonita do nosso serviço ao mundo em nome de Cristo. O mundo está precisando desesperadamente deste sangue redentor, derramado para nós e fluindo livremente em nossas vidas através do Seu sacrifício. E por sua vez, a dádiva é direcionada aos outros, abençoando o mundo como nós fomos abençoados.

Muitos cristãos hoje se contentam apenas em receber as bênçãos de Deus, limitando sua devoção aos cultos de domingo. Outros ficam tão ansiosos para experimentar as bênçãos, que viajam de um avivamento para outro clamando, “Derrame sobre mim, Senhor!”. Toda a sua energia, concentração e recursos são gastos no recebimento das bênçãos de Deus, não as derramando sobre os outros. Este não é o propósito das bênçãos. Não me entenda mal – está certo e é bom ser continuamente cheio do Espírito Santo. Mas como corpo vivo de Cristo somos chamados a fazer mais do que experimentar; somos ordenados a servir as Suas ricas bênçãos aos demais.

Há outra mensagem nesse cenário, dirigida aos crentes dos últimos dias

“Tu… guardaste o bom vinho até agora” (João 2:10). O anfitrião do casamento não sabia o quão proféticas foram suas palavras. Deus manifestou a Sua glória nos últimos dias derramando o Espírito sobre a igreja. Isso inclui esta geração atual, estando nós vivendo em um mundo cada vez mais turbulento. O terrorista Estado Islâmico e o Ebola são apenas as ameaças mais recentes à humanidade. Wall Street ficou tão abalada com a crise do Ebola e o resultante impacto sobre viagens aéreas, que a Bolsa teve queda de 400 pontos em um só dia.

Estamos também vivendo um tempo de crescente perseguição. Recentemente, uma prefeita em Houston exigiu que os pastores da cidade submetessem os sermões ao seu gabinete às quartas feiras, antes que os pregassem no domingo. Assim, os funcionários municipais poderiam monitorar se os pastores iriam falar contra o “projeto de lei do banheiro” - que permitia que transexuais usassem banheiros do sexo oposto. Qualquer pessoa que resistisse ao edital dela corria o risco de acusação de desacato ao tribunal, e possível tempo na prisão.

Isso é um ruído menor, contudo, comparado à enxurrada de sujeira sendo despejada no mundo através de mensagens distorcidas sobre sexo. As estatísticas mostram que o “sexting” (textos explicitamente sexuais) enviado via celular se espalha amplamente mesmo entre pré-adolescentes, e está infiltrado em todo o curso médio.

Em meio a essa escuridão de abatimento – pânico com o Ebola, terror com o EI e impotência para cessar a enxurrada de lascívia sexual – somos designados a ser uma bênção. Como seguidores de Jesus, devemos estar cheios da Sua paz, inabaláveis diante do mal, com nossas vidas brilhando como luzes em meio às trevas. Devemos ter uma resposta pronta quando os que nos cercam perguntarem, “Como você pode ter tanta paz em meio a tudo isso? De onde vem isso?”.

Deus vai ter um testemunho da Sua bondade em meio ao pânico, um testemunho de santidade em tempos maus. Amigo, isso inclui o seu testemunho? Ore comigo: “Senhor, derrame o vinho do Teu Espírito sobre nós – o Teu vinho de cura, de unção, de livramento e restauração. Derrame-o sobre irmãos e irmãs que estejam atolados numa religião morta, e liberte-os para Te servirem poderosamente de novo. Queremos Te ver se movendo junto ao Teu povo para trazer nova vida. Amém!”.
 

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