Restaurando Vidas Descarrilhadas | World Challenge

Restaurando Vidas Descarrilhadas

Gary WilkersonApril 6, 2015

Todos temos um chamado de Deus na vida. Talvez o Senhor lhe tenha dado um sonho relacionado ao seu chamado e você começou bem. Você conseguiu na verdade enxergar esta visão sendo cumprida, mas então veio um obstáculo – uma circunstância imperativa – e isso lhe descarrilou. Você perdeu o ímpeto e logo se viu fora dos trilhos.

Uma experiência durante meu primeiro ano de ginásio ilustra isso. Eu tinha sido um bom jogador de basquete em Long Island, onde cresci, e então quando a minha família se mudou para uma cidade pequena do Texas eu tentei ir para o time principal da escola. O técnico em Lindale, porém, me via como um esquentador de banco, então eu só conseguia jogar quando o time já ganhava por trinta pontos.

Aí um dos jogadores se machucou e outro foi tirado do time. O técnico sentou-se conosco e disse “Estamos num fase ruim, garotos”. Relutantemente olhou para mim e disse “Wilkerson, acho que você joga então”. Não foi exatamente uma conversa otimista, mas me entusiasmei.

Em meu primeiro jogo lancei sete vezes e fiz pontos em todos eles. Um deles foi uma lançada de bola do meio do campo e que entrou direto. Acabei sendo o artilheiro do jogo. Quando saíamos do campo aquele dia notei que o treinador me olhava como se tivesse acabado de descobrir ouro.

Mas no jogo seguinte só acertei uma das dez vezes que lancei e joguei mal. Desta vez quando saí do campo o técnico só me olhou. Acabei esquentando banco de novo, e passei o resto da temporada assistindo os companheiros jogar.

É fácil ter os sonhos descarrilados. A gente começa energizado, mas as coisas mudam quando a dura realidade chega. É quando Deus quer nos ensinar algo importante quanto aos nossos sonhos.

Jesus é o nosso exemplo quando nossas vidas se descarrilam

No começo de Seu ministério, a reputação de Jesus devido às curas e maravilhas atraíram enormes multidões. “Subiu Jesus ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos... Então... erguendo os olhos e vendo que grande multidão vinha ter com ele...” (João 6:3,5).

Os estudiosos bíblicos estimam que essa multidão seria entre 10.000 a 15.000 pessoas. A visão de tanta gente assim deve ter encorajado os discípulos. Confirmava que estavam seguindo a pessoa certa e que maiores coisas iriam acontecer. Jesus deve ter se agradado de ver a alegria deles, pois estavam aprendendo a antecipar grandes coisas vindas dEle.

Porém à medida que a multidão se formava, os discípulos enfrentaram uma situação impossível: “Jesus... disse a Filipe: Onde compraremos pães para lhes dar a comer?” (6:5). Nem bem o sonho se realizava e já a dura dificuldade se instalava.

Esse cenário lhe é familiar? Recorde o primeiro grande emprego que você teve. Você estava entusiasmado porque parecia o primeiro passo no cumprimento do seu chamado. Mas após uns tantos dias você descobre que o patrão não era quem parecia ser. Você tinha de trabalhar com um colega que parecia não gostar de você. As cobranças de tempo eram muito maiores do que o combinado, levando-o a perder tempo precioso com a família. E você disse “Eu não tinha ideia de que seria tão difícil”.

É assim que eu imagino que Filipe tenha se sentido naquele momento. Perplexo, ele responde a Jesus, “Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço” (6:7). Isso era enorme quantidade de dinheiro. Resumindo, mesmo se eles tivessem os meios e a capacidade de providenciar alimento, ainda assim não seria o suficiente para alimentar a multidão.

Lendo a resposta de Filipe, uma frase pula na minha cabeça: “Não vai dar”. Quantas vezes este pensamento surge na mente quando enfrentamos obstáculos? Quantas vezes nos perguntamos, “Não sei se tenho o que preciso. Não tenho os recursos, e duvido que tenha capacidade. Será que sou forte em Cristo? O que eu tenho do Espírito Santo é suficiente? Senhor, será que estou saindo dos trilhos?”.

Uma coisa sabemos com certeza: Jesus havia chamado Filipe para uma grande vitória naquele dia; Filipe apenas não conseguia vê-la ainda. O mesmo se aplica a nós. Deus tem nos chamado para esperar grandes coisas no caminhar com Ele. Então, o que acontece quando a situação exige fé? Cremos nEle para o milagre necessário? Ou somos descarrilados devido às nossas limitações? O desafio de Jesus aqui tinha um propósito: “Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer” (6:6).

Deus pede que confiemos em Sua versão de uma realidade além daquela que conseguimos ver

Há mais de cem anos um francês chegou com uma inovação maravilhosa chamada filme cinematográfico. Ele descobriu que organizando uma sequência de fotografias e movendo-as rapidamente em frente a uma luz, tem-se a impressão de vida real sendo vivida diante dos olhos.

O inventor sabia que estava diante de algo especial. Então programou uma première para aquela que seria uma das apresentações públicas mais famosas de um filme. A expectativa era grande quando as autoridades e convidados enchiam o auditório. O filme, “A Chegada de um Trem à Estação”, durou apenas quinze segundos, mas teve impacto fortíssimo – na verdade forte demais. Mostrava um trem voando direto para a câmera – e alguns historiadores afirmam que quando as pessoas o viram, entraram em pânico. Sem experiência dessa situação, elas acharam que um trem de verdade estava chegando sobre elas!

Porém era tudo aparência ilusória. As pessoas estavam convencidas de que suas vidas estavam em perigo, quando na realidade o que estavam experimentando eram simples fumaça e espelhos.

Este é o truque que Satanás aplica toda vez que a fé é desafiada. Nessas horas as nossas necessidades parecem superar os recursos. Parece que o sonho dado por Deus vai ser destruído por um trem desgovernado. É quando o Diabo diz, “Acabou. Isso é muito grande para você”. Mas a “realidade” que Satanás apresenta é superficial. A verdade é que Jesus é maior do que qualquer dificuldade que enfrentamos. Ele segura a nossa realidade em Suas mãos, e essa realidade é vitória.

Quando tudo parece perdido em face de um trem se lançando contra a gente, Jesus diz para não fugirmos, mas que “nos assentemos”

A ponto de haver crise, Jesus diz aos discípulos, “Fazei o povo assentar-se” (João 6:10). Jesus tinha o que chamo de CONFIANÇA DEPENDENTE. Era baseada no que Ele conhecia do Pai.

No capítulo anterior, Jesus fala de haver recebido autoridade do Pai... de ver o que o Pai faz e do que Ele próprio faz... de ouvir a voz do Pai e obedecer tudo que Ele diz. Como Cristo via e sabia dessas coisas? Seguramente havia um elemento sobrenatural quanto ao que Jesus sabia. Porém Ele também sabia sobre o Pai através da oração. Vez após outra lemos nos evangelhos sobre Cristo a sós em oração, de Ele passando noites inteiras em comunhão com o Pai, de passar dias nas montanhas em comunhão com Ele.

Agora, ao encarar a multidão faminta, “Ele bem sabia o que estava para fazer” (6:6). A dependência confiante de Cristo era baseada em Seu senso quanto à realidade de Deus por trás de toda situação. E então Ele instrui os discípulos, “Faça com que as pessoas se sentem, pois o Pai vai cuidar da necessidade delas. É hora de se confiar nEle para que conceda tudo que a situação exige”.

Amigo, Deus é suficiente para toda circunstância que possamos enfrentar. O problema é que não sabemos o que Ele vai fazer. Este é o dilema que os discípulos enfrentavam. Jesus usou a experiência para ensiná-los “Eis como se ter confiança dependente no Pai”.

Você chegou a uma situação em que tudo agora é com Deus?

A sua preocupação pode ser, “Magoei meu cônjuge forte demais para que se possa recuperar. Nem mesmo conselheiros conjugais conseguiram ajudar”. Ou, “Mesmo que meu filho vá para o Desafio Jovem, ele sempre acaba voltando para o vício”. Ou, “Eu nunca vou conseguir chegar até onde Deus me chamou. Não tenho preparo. Não tenho os recursos. A minha vida é um fracasso”.

Não se fixe em sua necessidade. Sob pressão, a maioria de nós fica repisando a necessidade o tempo todo: “Se apenas eu conseguisse tal coisa... Se apenas eu pudesse dar um jeito nessa fraqueza...”. Mas Jesus diz para não nos fixarmos em nossa necessidade, mas em nosso provedor. “Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante que a comida, e o corpo mais importante que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (Mateus 6:25-27 - NVI).

No Velho Testamento, quando as coisas pareceram impossíveis para o rei Asa, ele se fixou em seu provedor, não no problema. Quando o reino foi cercado por um inimigo gigantesco e não havia a mínima esperança, Asa orou basicamente assim, “Senhor, não sei o que fazer, mas os meus olhos estão fixados em Ti”.

Jesus mostra que devemos dar graças em meio à nossa situação. Enfrentando multidões famintas apenas com um punhado de peixes e pães, Jesus deu graças a Deus: “Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribui-os entre eles” (João 6:11).

Falamos de confiança dependente: Jesus agradeceu o Pai antes de a necessidade haver mesmo sido atendida – e um milagre seguiu-se: “Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse aos seus discípulos: ‘Ajuntem os pedaços que sobraram. Que nada seja desperdiçado’. Então eles os ajuntaram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada deixados por aqueles que tinham comido. Depois de ver o sinal milagroso que Jesus tinha realizado, o povo começou a dizer: ‘Sem dúvida este é o Profeta que devia vir ao mundo’” (6:12-14).

A situação não depende dos seus recursos. Depende dos recursos de Deus. “Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas” (Filipenses 4:19 - NVI)

Você pode ter clamado de coração em favor de sua necessidade. Agora não é hora de rever os fracassos; antes, é hora de lembrar-se da bondade de Deus. É hora de parar de se inquietar pela imensidão de suas necessidades, e em vez disso dar-Lhe graças. É hora de recorrer à força da família da fé quando você não a tem. Fique descansado de que o seu Deus está prestes a se mostrar grande em sua vida. Creia nisso – e encontre repouso nEle!

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