Vivendo sem Medo | World Challenge

Vivendo sem Medo

David WilkersonJune 11, 2007

“Bendito seja o Senhor Deus... porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação... por boca dos seus santos profetas, para nos libertar dos nossos inimigos... para usar de misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança e do juramento que fez a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, livres da mão de inimigos, o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias” (Lucas 1:68-75).

Deus declarou essa promessa desde o início do mundo, jurando em aliança com Abraão. Duas incríveis misericórdias estão fixadas nessa promessa: primeira, um Salvador viria “nos libertar de nossos inimigos”. Segunda, o Salvador iria nos capacitar para que “o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias”.

Todos os profetas indicam o cumprimento dessa palavra em Cristo. E estas promessas foram cumpridas na vitória de Jesus sobre a cruz. Ali o Senhor derrotou todos os principados e potestades das trevas, pondo Seus pés sobre a cabeça de Satanás e esmagando-a. Foi no calvário que o Messias nos salvou de nossos inimigos.

E o segundo elemento desta promessa? Diz que Cristo concedeu que vivamos todos os nossos dias sem medo. Que raciocínio incrível: podemos passar o resto de nossos dias na terra sem precisar temer coisa alguma.

Quando avalio esse segundo aspecto da promessa de Deus, tenho de admitir: não cheguei lá. As escrituras mostram que mesmo o apóstolo Paulo levou muito tempo até chegar ao ponto de viver sem medo. E você? Você já chegou a esse ponto? Todos nós experimentamos a primeira parte da promessa: Cristo trouxe vitória às nossas vidas contra os inimigos demoníacos. Mas quanto à segunda parte – viver sem medo – sinto que poucos de nós desfrutam de real libertação do medo.

Contudo Deus não iria nos dar essa promessa de aliança sem mostrar-nos como obtê-la. Em verdade, as escrituras claramente delineiam uma rota para todo crente ficar apto a viver e servi-Lo sem medo.

O apóstolo João resume isso em um versículo: “O perfeito amor lança fora o medo” (4:18). Além disso, o apóstolo diz, “No amor não existe medo... aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” (mesmo verso). Em resumo, se estamos vivendo com temor, podemos saber que ignoramos o que seja perfeito amor.

Quero destacar que João não está dizendo, “O perfeito amor por Deus lança fora o medo”. Ele não está falando de amor constante, ou de amor maduro no cristão, como alguns intérpretes sugerem; não é aí que o perfeito amor começa para os verdadeiros crentes.

Certamente amamos Deus, um fato que está fora de dúvida. Mas veja o que João diz a respeito do perfeito amor anteriormente no capítulo: “Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (4:12 – itálicos meus).

De acordo com João, o que primeiro se considera no perfeito amor é amor incondicional por nossos irmãos e irmãs em Cristo. Um cristão pode dizer que ama Deus, que está cumprindo a vontade do Senhor, que está fielmente cumprindo a obra do reino; tal pessoa pode ser um adorador e mestre da Palavra. Mas se ela guarda rancor, ou se fala contra alguém – se exclui qualquer pessoa do corpo de Cristo, ela anda em trevas, e o espírito da morte está sobre ela; toda a vida, todas as boas obras, não estão funcionando nessa pessoa. Veja o que João diz dela:

“Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas” (I João 2:9). João diz que tal pessoa tem todo o motivo para desmoronar. Acrescenta: “Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (3:14-15).

Se você está interessado em viver uma vida sem medo, diz João, há como chegar lá. Realmente, há um perfeito amor que expulsa todo o medo. E aqui está o primeiro passo que todos precisamos dar: “Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (I João 4:11). A primeira coisa é tratar de nossos relacionamentos no corpo de Cristo.

De acordo com João, aqui começa o verdadeiro amor. Amar os outros não é algo que “devemos” fazer - mas somos ordenados a fazer. João diz nos capítulo anterior: “O seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” (3:23). “Ora, temos da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (4:21).

Simplificando, devemos amar os outros como Cristo nos amou. Nisso é o amor aperfeiçoado. Porém, o que quer dizer amor pelos outros? É mais do que perdão, muito mais. É perdoar todas as transgressões dos outros contra nós. É oferecer-lhes comunhão. É estimá-los tanto quanto estimamos os outros membros do corpo. E é nos tornar disponíveis a eles em seus momentos de necessidade.

Ainda mais, amar os outros significa jamais revidar qualquer mau juízo, decisão injusta ou ofensa que tenha sido feita contra nós ou nossa reputação. Resumindo, é perdoar e esquecer, enterrar todo o passado no mar do esquecimento, no qual Cristo lançou todos os pecados que nós cometemos contra Ele.

Sabemos que Deus vê o coração. Então cada um de nós deve olhar para dentro e perguntar: “Coloquei as minhas dores sob o sangue; mas será que verdadeiramente perdoei as pessoas que as provocaram? Será que 'amor pelos outros' é uma obra já terminada em mim? Ou será que continuo a ser perseguido pela amargura?”.

A segunda epístola de João diz que andar na verdade é “a doutrina de Cristo” (2 Jo. 9). O que, exatamente, é essa doutrina? É obedecer integralmente a ordem de Deus para amar o Seu corpo. “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2 Jo. 10-11).

Essa é uma palavra dura de João. E embutida nela está um alerta contra se dar ouvidos à mexericos desafetuosos. Quer você espalhe tais palavras ou as aceite – por telefone, na hora do cafezinho, mesmo na igreja – o ouvinte é tão culpado quanto o fofoqueiro. E ambos estão zombando da doutrina de Jesus Cristo. Que Deus nos ajude a ver as horríveis consequências de se receber conversas desafetuosas, de se ouvir amarguras, detalhes quanto ao comportamento de outrem, de se dar ouvidos a qualquer pessoa que descarrega uma história de raiva (sem termos o outro lado da história) e planta sementes de desunião.

Amado, essa questão do perdão e do amor é mandamento. Mas, segundo João, é também um amoroso convite para uma vida de libertação do medo. Ele diz que o Espírito Santo não vai pressionar-nos à essa verdade, mas irá buscar nos persuadir, tratando brandamente conosco: “Os seus mandamentos não são penosos, porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (I Jo. 5:3-4).

Pode ser difícil amar e perdoar, especialmente os que nos feriram profundamente. Mas João assegura: “Esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito” (1 Jo. 5:14-15).

Quando aprendemos a amar e perdoar, o Espírito Santo arranca e extirpa as raízes da nossa recusa ao perdão. E não fica nem um traço dela; ela se vai para sempre. Agora estamos capacitados para orar pelas pessoas que perdoamos, pensar bem delas, mesmo servi-las. Finalmente, as vemos purificadas pelo mesmo sangue que nos purifica, e como sendo um conosco no corpo de Cristo. Isso é a intimidade do coração de Jesus.

Ainda assim, uma vez tendo resolvido essa questão de amar como Cristo nos amou, há ainda outra parte a ser considerada. Veja, amar os outros é perfeito amor só em parte.

“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor e aquele que permanenece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo” (I Jo. 4:16-17).

Note a última parte desta passagem. João diz que agora estamos vivendo como o Senhor viveu: perdoando e amando os nossos inimigos. Nada resta em nós de revides, rancores, ou preconceito racial – nada que nos condene no Dia do Juízo. E então agora precisamos conhecer e inteiramente crer no amor de Deus por nós.

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (I Jo. 4:10). Você percebe o quê João está dizendo? O nosso amor por Deus é algo estabelecido. Perfeito amor também significa conhecer e crer no amor de Deus por nós.

Ainda mais, diz João, não deve haver medo nesse amor, não se pode duvidar dele. Por que? Porque se duvidarmos desse amor por nós, viveremos em tormento: “O medo produz tormento” (4:18). Crer no amor de Deus significa saber que Ele é paciente com as nossas falhas do dia sim, dia não. Ele ouve cada um de nossos choros, conta cada lágrima nossa, sente a nossa angústia de coração, e é movido por compaixão diante de nossos gemidos.

Esse aspecto do amor de Deus é vivamente ilustrado em Êxodo, onde o Senhor busca revelar Sua natureza amorosa ao povo. Ele diz a Moisés, “Vou livrar Israel”, e as escrituras dizem: “gemiam sob a servidão e por causa dela clamaram, e o seu clamor subiu a Deus” (Êxodo 2:23-24). “Disse... o Senhor: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito...Conheço-lhe o sofrimento; por isso, desci a fim de livrá-lo” (3:7-8).

O faraó tornou impossível que os israelitas escravizados conseguissem cumprir as metas na fabricação de tijolos. Então, como o povo de Deus reagiu à promessa que Deus fez de livrá-los? “Mas eles não lhe deram ouvidos, por causa da angústia e da cruel escravidão que sofriam” (Êxodo 6:9).

Eu lhe pergunto: você crê que Deus vê a sua necessidade e situação, assim como fez com Israel? Muitas vezes nós, de maneira pouco sincera dizemos “Cristo é tudo”, porém quando enfrentamos uma crise – quando uma coisa após outra dá errado, nossas preces parecem não ser respondidas, e uma esperança após a outra vai sumindo – afundamos no medo. Em verdade, sucumbimos ao medo sempre que oscilamos em confiar em Deus em todas as coisas. Mas o fato é que Deus jamais abandona qualquer filho na hora da angústia, mesmo quando a situação é totalmente desesperadora.

Amado, a nossa fé não é realmente fé - a menos que ela seja testada ao limite. Quando Deus libertou Israel do Egito, Ele disse ao povo, “Eu vos tirei do cativeiro para trazer-vos para Mim”. Ele os guiou passo a passo à situações tão difíceis que só um milagre poderia salvá-los. Foram situações duras e angustiantes, porém tinham um propósito eterno: construir neles uma dependência completa de Deus para todos os recursos.

Deus se comprometeu em fazer o impossível por eles. Ele lhes abriria um caminho quando inexistisse saída alguma visível para eles. E o Senhor executou tudo que prometeu. O Seu desejo era que o povo cresse que Ele os amava, que sabia o que estavam suportando, que escutava cada lamento deles; a única coisa que Ele queria era ouvi-los dizendo com firmeza de fé, “Com o meu Deus, nada é impossível”.

Qual é a evidência da fé? É o descanso. É uma atitude do coração que diz, “Vivo ou morto, sou do Senhor. Ele é fiel comigo em todas as coisas, não importa a escuridão que haja”. O autor de Hebreus refere-se à essa atitude quando escreve, “Resta um repouso para o povo de Deus” (Hebreus 4:9).

Qual é a evidência de que não entramos ainda no descanso? É o medo. Como afirma João, “Aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” (I Jo. 4:18). E Tiago descreve as consequências de não se descansar no amor de Deus: “Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor cousa alguma” (Tiago 1:6-7).

Nessa história, José serve como um tipo de Cristo. Seus irmãos mais velhos o odiavam devido à sua integridade, e assim quando encontraram negociantes rumando para o Egito eles venderam José à escravidão. Depois de várias duras provações e anos de sofrimentos, José foi elevado ao posto de braço direito do faraó. Então recebeu uma visão de uma fome no mundo inteiro por sete anos, e aconselhou ao faraó que começasse a armazenar montanhas de milho. O faraó fez isso durante os anos bons, e então a fome chegou.

Quando os alimentos ficaram escassos, o pai de José, Jacó, enviou seus dez filhos ao Egito para comprar milho do faraó. O que se seguiu é uma trama familiar de intrigas: José reconheceu seus irmãos, mas estes não o reconheceram. Durante a interação, José acabou ouvindo-os confessar o pecado deles, mas eles não acharam que ele os havia entendido. Eles disseram, “Somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos a angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos; por isso, nos vem esta ansiedade” (Gênesis 42:21).

Qual foi a reação de José à confissão deles? “Retirando-se deles, chorou” (42:24). Vai ficando claro com o desdobramento da história que José estava reconciliado em seu coração com os irmãos. Apesar de eles haverem agido de modo terrivelmente injusto com ele, José desejava ardentemente revelar-se aos seus familiares, abraçá-los pelo pescoço, beijá-los e reconciliá-los consigo mesmo.

Isso reflete o coração de Deus em relação a nós, segundo Paulo. Ele registra, “...nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Romanos 5:10). “...Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo” (2 Coríntios 5:18). Quando nós ainda éramos pecadores, Deus removeu cada barreira que nos deixava sem reconciliação com Ele, através do sacrifício do Seu Filho na cruz. Também como José, Ele anseia por revelar o coração aos Seus amados.

Finalmente, José não conseguia mais reter o amor por seus irmãos. “Levantou a voz em choro... Disse... a seus irmãos: Agora, chegai-vos a mim... Não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos... porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gênesis 45:2, 4-5). O amor de José por seus irmãos tinha pouco a ver com a confissão que fizeram. Não foi resultado de orações deles, de seu jejum, de qualquer boa obra, ou de sinceras promessas de se tornarem servos dele. Foi toda uma questão de amor imerecido.

O mesmo é verdade quanto a nós com Deus. Ele nos amou quando éramos ainda pecadores – antes de nos arrependermos, antes de experimentarmos o pesar doloroso (pelo pecado), antes até mesmo de crermos nEle. Eu pergunto: quanto mais Deus nos ama agora que abraçamos o Seu amor e recebemos Sua misericórdia?

Esse grande amor foi expresso no modo pelo qual José tratou sua família uma vez esta tendo se reconciliado com ele: “José estabeleceu a seu pai e a seus irmãos e lhes deu possessão na terra do Egito, no melhor da terra” (47:11). José alimentou e nutriu os próprios irmãos que haviam se virado contra ele, suprindo-os com carroças e carroças das melhores iguarias do Egito.

Mas mesmo após isso, aqueles homens ainda viviam com medo de José. Dezessete anos depois, quando o pai morreu, José e seus irmãos carregaram o corpo de Jacó de volta para Canaã, onde o sepultaram com grande cortejo. Enquanto lá, os irmãos de José começaram a murmurar entre sí: “É o caso de José nos perseguir e nos retribuir certamente o mal todo que lhe fizemos” (50:15).

Então foram até o irmão, prostraram-se sobre seus rostos e lhe suplicaram com medo: “Antes que o nosso pai morresse, ele nos ordenou que viéssemos até ti, confessássemos o nosso pecado e lhe pedissemos misericórdia. Suplicamos que tu nos perdoe, José. Seremos teus servos. Tu tens as nossas vidas em tuas mãos”.

Como José reagiu a isso? “José chorou enquanto lhe falavam” (Gênesis 50:17). Entre lágrimas de pesar ele fala delicadamente a seus irmãos, assegurando-lhes, “Não temais; acaso estou eu em lugar de Deus?” (50:19). Creio que as lágrimas de José nos revelam o quanto de dor ele tinha. O temor persistente de seus irmãos havia lhe magoado profundamente. Isso é o que ele deve ter pensado: “Perdoei os meus irmãos há dezessete anos atrás. Mesmo assim todo esse tempo eles viveram sob o medo! Eles nunca conheceram o meu coração em relação a eles. Eles nunca aceitaram o meu amor”.

Os irmãos de José não tinham nenhuma razão para temê-lo. Mesmo assim pense no raciocínio deles todos aqueles anos: eles nunca desfrutaram das provisões dadas por José, de seus presentes, recursos, de sua bondade e amor. Como resultado nunca estiveram à vontade, nunca conseguiram curtir a vida, mas pelo contrário, sempre ficavam pensando nos pecados passados – e sempre julgavam mal o coração do irmão.

José tinha deleite neles, demonstrando amor com abraços, beijos e lágrimas de alegria. Ele se rejubilava por ter podido abençoá-los e gabava-se deles diante dos egípcios mundanos. Por meio de todas estas coisas, José estava lhes dizendo, “Estamos reconciliados. Não estou interessado no que vocês fizeram no passado. Apenas quero demonstrar a vocês o meu coração”. Contudo, ano após ano os irmãos nunca confiavam nele. E então ficavam constantemente ansiosos, sem alegria, oprimidos. Todo sofrimento que viviam eles achavam ser a maneira pela qual Deus os estava fazendo pagar por seus pecados.

É triste, mas o mesmo acontece com muitos do povo de Deus hoje em dia. Como José, Deus se ressente pelo sofrimento e pela dor que trazemos a nós mesmos por não descansarmos em Seu amor. Hebreus nos diz que Cristo na glória é tocado pelo sentimento de nossas enfermidades (v. Hebreus 4:15). Ele “co-participa” de nossas dores, e sofre quando sofremos. Diga-me, amado, o que você faz com essa grande verdade?

Eis o que eu acredito ter sido a fonte mais profunda das lágrimas de José. Não foi porque seus irmãos julgaram mal o seu caráter ou abusaram de seu amor. Antes, foi o seguinte, que eu tirei de um antigo hino de igreja: “Oh, que paz muitas vezes perdemos, oh, que dor desnecessária carregamos, tudo porque não levamos tudo a Deus em oração”.

Se José verdadeiramente amava seus irmãos – se ele genuinamente se deleitava neles – sabemos que ele era ferido pela dor desnecessária que carregavam todos aqueles anos. Ele pensava na dor debilitante que eles haviam sofrido, na paz e na alegria que haviam deixado de ter, em toda culpa e condenação, nos anos acorrentados às cadeias do medo. E creio que José chorou porque eles não haviam ido até ele para resolver muito tempo antes; ele havia lhes aberto a porta, mas eles nunca buscaram acesso.

De acordo com João, quando o nosso amor está alinhado com a Palavra de Deus – quando abraçamos o Seu amor e cuidado por nós, e amamos uns aos outros incondicionalmente – só então vamos viver sem medo. Teremos confiança no dia do juízo. E seremos capazes de viver no dia a dia como Cristo viveu: sem medo.

Quando todo o medo se vai, estamos agora em perfeito amor. Ouça essas palavras cantadas por Davi: “O esplendor e a majestade estão diante dele; força e alegria na sua habitação” (I Crônicas 16:27 itálicos meus). A raíz para “alegria” no Novo Testamento quer dizer “pulando de júbilo”. O coração de Deus pula de alegria pelos que desfrutam da plenitude do perfeito amor.

Agora mesmo, o mundo está se afogando no medo. A humanidade treme devido ao aquecimento global, ao medo de ataques terroristas, de guerra nuclear, dos abalos da economia, da AIDS, dos mortícinios em massa, do crescimento do islamismo, do caos político, da disseminação dos vícios das drogas, álcool e pornografia. Eu lhe pergunto: como vamos conseguir produzir algum impacto por Cristo se estamos perturbados pelo mesmo espírito de medo do mundo? Que tipo de esperança podemos oferecer – na verdade, que tipo de evangelho pregamos – se ele não nos muda e não nos livra do medo?

Deus trouxe a Nova Aliança para assegurar à igreja o Seu amor e pleno perdão pelos pecados – para nos levar ao conhecimento de Seu deleite e alegria por todos nós... para que possamos conhecer o Seu coração de amor, e viver todos os nossos dias sem medo. Veja:

“Os que o Senhor resgatou voltarão. Entrarão em Sião com cantos de alegria; duradoura alegria coroará sua cabeça. Júbilo e alegria se apoderarão deles, e a tristeza e o suspiro fugirão” (Isaías 35:10). “O Senhor é a minha luz e a minha salvaçao; de quem terei temor? O Senhor é o meu forte refúgio; de quem terei medo?... Ainda que um exército se acampe contra mim, meu coração não temerá” (Salmo 27:1,3).

Há muito tempo o povo de Deus já deveria ter posto tudo em Suas mãos. Insisto com você, pare de tentar resolver você mesmo os seus problemas. Pelo contrário, descanse no poder da Palavra de Deus. Deixe que o Senhor coloque alegria em você, hoje. O seu coração alegre irá “chocar e assombrar” todos os que estiverem temerosos ao seu redor: “E serás por pasmo, por ditado, e por fábula entre todos os povos a que o Senhor te levará” (Deuteronômio 28:37).

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